quarta-feira, 10 de maio de 2017

1845 (do abjeto) - Ese General

Ese General
-Aquí está el general.
¿Qué quiere el general?
-Una espada desea el general.
-Ya no existen espadas, general.
¿Qué quiere el general?
-Un caballo desea el general.
-Ya no existen caballos, general.
¿Qué quiere el general?
-Otra batalla quiere el general.
-Ya no existen batallas, general.
¿Qué quiere el general?
-Una amante desea el general.
-Ya no existen amantes, general.
¿Qué quiere el general?
-Un gran tonel de vino desea el general.
-Ya no hay tonel ni vino, general.
¿Qué quiere el general?
-Un buen trozo de carne desea el general.
-Ya no existen ganados, general.
¿Qué quiere el general?
-Comer yerbas desea el general.
-Ya no existen los pastos, general.
¿Qué quiere el general?
-Beber agua desea el general.
-Ya no existe más agua, general.
¿Qué quiere el general?
-Dormir en Una cama desea el general.
-Ya no hay cama ni sueño, general.
¿Qué quiere el general?
-Perderse por la tierra, desea el general.
-Ya no existe la tierra, general.
¿Qué quiere el general?
-Morirse como Un perro desea el general.
-Ya no existen los perros, general.
¿Qué quiere el general?
¿Qué quiere el general?
Parece que está mudo el general.
Parece que no existe el general.
Parece que se ha muerto el general,
que ya, ni como un perro, se ha muerto el general,
que el mundo destruido, ya sin el general,
va a empezar nuevamente, sin ese general.

(El matador, (Poemas escénicos), 1965)
Rafael Alberti 

domingo, 7 de maio de 2017

1844 - (dos livros) - Um livro

Um livro

Levou-me um livro em viagem
não sei por onde é que andei
Corri o Alasca, o deserto
andei com o sultão no Brunei?
P’ra falar verdade, não sei
Com um livro cruzei o mar,
não sei com quem naveguei.
Com marinheiros, corsários,
tremendo de febres e medo?
P’ra falar verdade não sei.
Um livro levou-me p’ra longe
não sei por onde é que andei.
Por cidades devastadas
no meio da fome e da guerra?
P’ra falar verdade não sei.
Um livro levou-me com ele
até ao coração de alguém
E aí me enamorei –
de uns olhos ou de uns cabelos?
P’ra falar verdade não sei.
Um livro num passe de mágica
tocou-me com o seu feitiço:
Deu-me a paz e deu-me a guerra,
mostrou-me as faces do homem
– porque um livro é tudo isso.
Levou-me um livro com ele
pelo mundo a passear
Não me perdi nem me achei
– porque um livro é afinal…
um pouco da vida, bem sei.

João Pedro Mésseder

sábado, 29 de abril de 2017

1843 (da condição humana) - Blackbird

Blackbird

Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise.
Blackbird singing in the dead of night
Take these sunken eyes and learn to see
All your life
You were only waiting for this moment to be free.
Blackbird fly, blackbird fly
Into the light of the dark black night.
Blackbird fly, blackbird fly
Into the light of the dark black night.
Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise
You were only waiting for this moment to arise
You were only waiting for this moment to arise

Compositores: John Lennon / Paul Mccartney

sexta-feira, 28 de abril de 2017

1842 (da perplexidade) - Because

Becuase



Because the world is round it turns me on
Because the world is round, ah
Because the wind is high it blows my mind
Because the wind is high, ah
Love is old, love is new
Love is all, love is you
Because the sky is blue, it makes me cry
Because the sky is blue, ah
Ah
John Lennon / Paul Mccartney

terça-feira, 11 de abril de 2017

1840 (das palavras) - Joguete de cartas sem clarinete

Joguete de cartas sem clarinete

-Tu ficas com estas,
-Não vale fazer batota!
-Eu fico com estas,  
- Quem é a primeira a jogar? és tu? sou eu?
- Eu posso começar
- Então vá! pronta?
- Sim
- Colete
- Colete? sete
- Capacete
- aah... Ralhete.
- Remete
- aah... Cadete
- aah, Valete
- Ramalhete
- Filete
- ahhh... Joanete,
- Calhambeque
- Pivete
- Filete
- aah... alfinete!
- Estou quase,
- Já tenho menos cartas que tu, parece-me!
- Canivete,
- Cheirete,
- Frete
- ai, ai, Olha, passo!
- Podes ir buscar uma ao baralho.
- És tu!
- Valete
- Ai, passo outra vez.
- Hum, Tablete
- Não tens?
- Não! Tenho de ir buscar outra vez!
- hum, ora bem, hum
- Biciclete
- Biciclete?
- Sim, biciclete!
- Ah? não é bicicleta?
-Oh não...

Ana Isabel Gonçalves e Paula Pina
Palavras de bolso
https://shar.es/1QK4NP 


quinta-feira, 6 de abril de 2017

1839 (Do espanto) - E ao fim de tantos anos aqui tens de novo um coração

E ao fim de tantos anos aqui tens
de novo um coração   Lembras-te ainda
do que lias no Hurst.  duas aurículas
e dois ventrículos.      as válvulas
a mitral a tricúspide.   os desenhos
tão nítidos do Netter
os sons milhões de vezes repetidos
a cadência ritmada que escutavas
no Litmtman do teu pai   essa alternância
de sístole e diástole.   o seu fogo
que dantes te fazia arder o peito
incendiar as noites

Ao fim de tantos séculos.  milénios
acreditaste ser
inócuo para sempre.  estar enfim
extinto esse vulcão

Agora no entanto
recomeça a bater todos os dias
e não sabes porquê

Fernando Pinto do Amaral